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segunda-feira, 9 de junho de 2014

A ponte ferroviária de Esgueira

 
 
A primeira ponte ferroviária de Esgueira, com uma extensão de 480 metros, transpondo o vale da Ribeira de Esgueira (autor desconhecido, sem data)

A ponte ferroviária de Esgueira foi atravessada pela primeira vez, segundo se pode ler em Subsídios para a história de Aveiro, de Marques Gomes, a 18 de Julho de 1863.
O historiógrafo aveirense, na obra referida, coligiu alguma informação interessante sobre esta ponte (ou viaducto, como lhe chama de preferência). Começa por dar a conhecer, resumidamente, as indefinições que houve no traçado da via férrea (um dos estudos fazia-a passar por Aveiro, outro mais pelo interior, acabando por ser dada preferência ao primeiro traçado, graças ao empenho incansável de José Estêvão). Escreve, depois, Marques Gomes:
 
"Adoptado o traçado de Aveiro (...) foram encetados os trabalhos de construcção em agosto de 1861 sob a direcção do engenheiro francez Valentim de Mazade. (...)
A empresa constructora dividiu os trabalhos em cinco grandes secções; os que diziam respeito ao concelho de Aveiro ficaram compreendidos na Quarta que ia de Coimbra até à margem esquerda do Vouga, na extensão de sessenta e três kilometros.
O caminho de ferro atravessa no concelho de Aveiro uma parte das freguesias de Requeixo, Oliveirinha, Aradas, Gloria, Vera-Cruz, Esgueira e Cacia e isto n'uma extensão de 19m,580. [Trata-se, claro, de gralha tipográfica, devendo ler-se 19Km,580]
A sua construcção foi aqui bastante demorada e dispendiosíssima, em resultado do valor dos terrenos que foi mister expropriar e das duas grandes obras d'arte que se tiveram de fazer, o viaducto de Esgueira e o aterro das Agras. [Ou aterro do vale do Cojo, designação também usada por Marques Gomes noutro ponto da obra que estamos a citar. Trata-se do aterro por trás da antiga fábrica Jerónimo Pereira Campos, actual Centro Cultural e de Congressos]
O viaducto de Esgueira construído sobre a direccção do engenheiro inglez Wilson é formado por seis vigas metálicas de 30 metros cada uma assentes sobre duas ordens de pilares tubulares, que foi necessário cravar até à profundidade de 25 e mesmo 27 metros para chegar a terreno solido, e dois estribos de cantaria. (...) Os tubos foram depois reforçados com uma muralha de beton e pedra de 5 metros de altura.
A obra do viaducto de Esgueira foi durante a sua construção muito discutida, pondo-se em dúvida a sua segurança. Eram infundados, porém, estes receios. A experiencia oficial do viaducto fez-se nos dias 24 e 25 de janeiro de 1864 por uma comissão composta dos engenheiros Aguiar, Margiochi, Couceiro, Sousa Brandão e Peres. As experiencias fizeram-se com um comboyo composto de duas machinas, um fourgon, uma carruagem de primeira classe e de nove carros carregados de carvão de pedra. O viaducto resistiu a todas as experiencias que consistiram na prova estatística, ou no peso de 40 toneladas em cada tramo por espaço de 45 minutos; passou-se depois à segunda prova, de pequena velocidade, a que oppôz a mesma resistência; a terceira e ultima prova foi a dynamica, em que trabalharam as duas machinas reunidas, e com toda a força, calculando-se andar o comboyo 70 kilometros por hora, resistindo a tudo com o mesmo vigor.
Havia já muitos meses, porém, que pelo viaducto passavam comboyos. A primeira locomotiva que veio de Estarreja até á avenida norte do mesmo, sendo portanto a primeira que entrou no concelho de Aveiro, chegou alli ás 3 e meia horas da tarde de 23 de Março de 1863.
O viaducto esse foi atravessado pela primeira vez em 18 de julho desse anno. O Campeão das Provincias noticiou então assim o facto:

«No sabbado pelas 10 horas da manhã Aveiro estava quasi despovoado. Immensa concorrencia de pessoas de todas as classes sociaes estanciava nas eminencias adjacentes á ribeira d' Esgueira, aquem e alem da ponte do caminho de ferro, porque devia o comboio percorrel-a, desvanecendo assim os engenheiros da empresa as apreensões publicas com as provas exhibidas á face de todos.
Já tinham dado 11 horas quando se avistou a locomotiva que magestosamente caminhava do norte, parando na avenida da ponte. A ansiedade publica cresceu, com quanto se soubesse que a ponte havia sido experimentada, carregando-a na véspera com 235 toneladas, isto é 8 vezes mais que o pezo do trem ordinário, sem que désse de si, o que denotava a solidez da sua construção.
Quando o comboio entrou na ponte d' Esgueira muitas centenas de foguetes estouraram nos ares. A multidão tornou-se mais compacta, por que todos queriam presenciar a experiencia, que se antolhava medonha, e por tanto sublime de horror. A locomotiva entrou a ponte com inteiro desassombro dos que iam dentro dos carros, tocou a avenida do sul, e a multidão respirou, vendo inteiramente dissipados os seus receios, e realisadas as suas esperanças.»

Esta ponte veio a ser substituída por outra, a actual, de betão armado pré-esforçado, utilizando os pilares da antiga ponte, embora reforçados, obra que foi concluída em 1991.
 
 
 





segunda-feira, 8 de julho de 2013

Praça da República

 
 
Extremo norte da antiga Rua do Loureiro (actual Gustavo Ferreira Pinto Basto),
entre o Teatro Aveirense e a Câmara Municipal.
Em frente, a parte demolida da casa de José Estêvão.
(Autor desconhecido. 1905. Colecção Morais Sarmento)


 
Pedestal ainda sem a estátua  de José Estêvão
(Autor desconhecido. Sem data.
A fotografia é, contudo, anterior a 12 de Agosto de 1889,
data da inauguração do monumento. Colecção Morais Sarmento)
 

 
Inauguração do monumento a José Estêvão, em 12 de Agosto de 1889
(Autor desconhecido. Colecção Morais Sarmento)
 

 
Praça do Município cerca de 1910
(Autor desconhecido. Sem data)
 

 
Praça e monumento a José Estêvão
(Autor desconhecido. Sem data.
Anterior, contudo, a 1939, ano em que foi retirado
o gradeamento em volta da estátua. 
Colecção Énio Semedo)
 

 
Monumento de José Estêvão
(Autor desconhecido. Sem data)
 

 
Praça da República, Liceu e monumento a José Estêvão
(Autor desconhecido. Sem data, mas anterior a 1939)
 

 
Paços do Concelho e José Estêvão
(Autor desconhecido. Sem data, mas anterior a 1939)
 

 
Estátua de José Estêvão
(Autor desconhecido. Sem data, mas anterior a 1939)
 

 
Monumento de José Estêvão
(Edição Emílio Biel & Cª, Porto, postal nº 191, série geral. 
Sem data, mas anterior a 1939)
 
 
 
Liceu
(Edição Emílio Biel & Cª, Porto, postal nº 192, série geral. Início do século XX)
 

 
Igreja da Misericórdia
(Autor desconhecido. Sem data.
A grafia "egreja" remete, todavia para antes de 1911)
 

 
Teatro e Liceu
(Autor desconhecido. Sem data.
 

 
Praça da República e monumento a José Estêvão
(Autor desconhecido. Sem data, mas anterior a 1939)
 


Praça da República em 1935

(Colecção Morais Sarmento)
 


 
Monumento a José Estêvão
(Edição Souto Ratola, Aveiro. Sem data, mas anterior a 1939
Colecção Morais Sarmento)
 

 
Praça da República e igreja da Misericórdia
(Autor desconhecido. Sem data)



 
Praça da República
(Autor desconhecido. Sem data, mas posterior a 1939)
 

 
Demolição dos prédios por detrás da estátua de José Estêvão, em 1964
(Colecção Carvalhinho, Américo Carvalho da Silva)
 

 
Demolição dos prédios por detrás da estátua de José Estêvão, em 1964
(Colecção Carvalhinho, Américo Carvalho da Silva)
 

 
Praça da República cerca de 1967, já com o edifício
 projectado pelo arq. Fernando Távora
(Autor desconhecido. Sem data)
 
 
 
Notas à margem

1- A actual Praça da República ocupa aproximadamente o espaço onde se erguia a muito antiga igreja de S. Miguel, que foi, até 1835, ano da sua demolição, o maior e mais importante templo da cidade. Não se sabe ao certo a que século remonta a sua construção, mas já era referida em documentos da época da reconquista cristã.
A decisão de demolir a igreja de S. Miguel foi da responsabilidade do primeiro Governador Civil de Aveiro, José Joaquim Lopes de Lima, nomeado pouco antes para o cargo (25 de Julho de 1835), quando era Ministro do Reino o Duque de Saldanha. Por alvará de 11 de Outubro de 1835, determina que sejam reduzidas a duas as quatro freguesias da cidade: a da Vera Cruz, compreendendo o território desta e o de Nossa Senhora da Apresentação; e a de Nossa Senhora da Glória, compreendendo a área das extintas freguesias de S. Miguel e do Espírito Santo. Pelo mesmo alvará determina ainda que sejam demolidas as igrejas de S. Miguel e do Espírito Santo.
A demolição da igreja de S. Miguel é iniciada quase de imediato, a 19 de Outubro. Segundo Rangel de Quadros, sendo difícil encontrar em Aveiro operários que procedessem à demolição, foram utilizados presos que se encontravam no Forte da Barra.
Curiosamente, a 22 de Dezembro do mesmo ano, Luiz da Silva Mouzinho de Albuquerque, que sucedeu ao Duque de Saldanha no cargo de Ministro do Reino, censurou asperamente, numa portaria, “a obra vandálica da destruição da igreja de S. Miguel” de Aveiro.
Não deixa de ser interessante recordar alguns dos últimos actos religiosos que, em 1835, tiveram lugar nesta antiquíssima igreja:
  • 1 de Março: último casamento, de Domingos Simões Peixinho com Rosa Angélica;
  • 13 de Agosto: último enterramento, que foi o do capitão João Dionísio, da freguesia da Vera Cruz. Recorde-se que, a 12 de Dezembro deste mesmo ano, teve lugar o primeiro (e contestado) enterramento no recém criado cemitério público, o actual Cemitério Central de Aveiro;
  • 26 de Setembro: último baptizado, que foi de Maria do Rosário, filha de António Pereira da Cunha e de D. Emília Rosa Cândida;
  • A 18 de Outubro, dia anterior ao do início da demolição, as principais imagens da igreja de S. Miguel foram conduzidas processionalmente para a vizinha igreja do extinto Convento Dominicano de Nossa Senhora da Misericórdia, sede da nova freguesia de Nossa Senhora da Glória, acabada de criar pelo referido alvará do Governador Civil.
Em Abril de 1840, cerca de cinco anos depois da demolição, a Câmara Municipal, então presidida por Francisco Henriques da Maia, manda proceder ao arranjo do largo fronteiro aos Paços do Concelho, onde haviam sido a igreja e o adro de S. Miguel. A obra, arrematada por Simeão Ribeiro de Paula, de Aveiro, custou 450.000 réis.
Em 1903, dando continuidade ao melhoramento do largo, a Câmara Municipal, então da presidência de Gustavo Ferreira Pinto Basto, manda proceder ao calcetamento da praça.
A 5 de Agosto de 1964, quando era Presidente da Câmara Henrique Álvaro Pires de Mascarenhas, começa a demolição dos prédios que se situavam por detrás da estátua de José Estêvão, para aí se construir um novo edifício municipal, com projecto do arquiteto Fernando Távora, o mesmo que existe ainda hoje.

2- Ao tempo em que foi demolida a igreja de S. Miguel, já existia o actual edifício da Câmara Municipal, construído em fins do séc. XVIII. O facto de se dotar a Câmara com novas e mais dignas instalações prende-se certamente com a elevação de Aveiro a cidade, a 11 de Abril de 1759, graças à “real benignidade” (como se lê no documento régio) do rei D. José. Recorde-se que, na sequência do processo dos Távoras, por alegada tentativa de assassínio do rei, em que também foi indiciado o 8º (e último) Duque de Aveiro, este acabou executado a 13 de Janeiro de 1759, sendo, em consequência, extinto o ducado e confiscados todos os seus bens em favor da coroa. Logo no início do processo, a então vila de Aveiro apressou-se a testemunhar ao rei a sua inteira fidelidade. A “real benignidade” do monarca, ao elevar Aveiro a cidade, foi pois, possivelmente, uma forma de recompensar a sua fidelidade.
O novo edifício da Câmara, cuja construção se prolongou por cerca de três anos, não sofreu grandes alterações ao longo do tempo. No rés do chão, começou por estar instalada a cadeia, que depois foi transferida para outro local.
Refira-se, como simples curiosidade, que, segundo Rangel de Quadros, o chamado “sino da ronda” deixou definitivamente de se tocar na torre dos Paços do Concelho a 1 de Outubro de 1892. O toque do sino da ronda era um costume que vinha de séculos passados e destinava-se a chamar os noctívagos a casa.

3- “Embora não esteja documentada a data exacta da fundação da irmandade da Misericórdia de Aveiro, esta é atribuída por tradição ao ano de 1498, logo após a fundação da Misericórdia de Lisboa. Sabe-se que em 1502 a irmandade funcionava em pleno, uma vez que na época foram feitas doações à mesma, para além de os irmãos terem recebido uma carta de privilégios dada por D. Manuel nesse ano.
A primitiva sede da irmandade funcionava na Capela de Santo Ildefonso, junto à igreja paroquial de S. Miguel, tornando-se no entanto evidente a reduzida funcionalidade da mesma para servir as obras de assistência da Misericórdia numa vila com uma intensa vida comercial e marítima, ligada ao Atlântico e às colónias ultramarinas.
Ao longo do século XVI a irmandade intentou esforços para patrocinar a construção de uma igreja própria, bem como de um hospital, e em 1585 D. Filipe I concedeu à irmandade aveirense os mesmos privilégios de que usufruia a Miseriória de Coimbra.
A obra de edificação do templo iniciou-se em 1600, sendo contratado para a execução da traça o mestre Gregório Lourenço. A primeira pedra da igreja era lançada ainda nesse ano. (…) No ano de 1608 a Casa do Despacho estava já concluída e o corpo do templo encontrava-se edificado, faltando executar o pórtico principal e o espaço da capela-mor. Em 1615 o hospital ficava concluído. No entanto, a fábrica de obras foi sendo interrompida por falta de apoios financeiros, e a capela-mor só viria a ser concluída entre 1650 e 1655, durante a provedoria de D. Raimundo de Lencastre, Duque de Aveiro. (…) Somente em 1669 a Capela de Santo Ildefonso deixou de ser utilizada pela irmandade, pelo que se depreende que nesta data a estrutura do templo da Misericórdia estava concluída. (…) A fachada foi “revestida por azulejos em 1876”.

IGESPAR, “Igreja da Misericórdia de Aveiro, incluindo as salas de despacho e anexos”
 
4- Do lado poente da Praça da República fica o edifício do primeiro liceu de Aveiro, por cuja criação se bateu insistentemente José Estêvão. A sua construção foi iniciada em 1855, quando o Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, criado três anos antes, era ocupado, desde a sua criação, por Fontes Pereira de Melo, que deu um incremento notável às obras públicas em Portugal, ao ponto de esses anos em que ocupou o ministério passar a ser designado como “fontismo”. As obras do Liceu prolongaram-se até 1860, tendo a inauguração acontecido a 15 de Fevereiro.
O Liceu, cujo projecto é de um mestre de obras aveirense, Ricardo da Maia Romão, ocupa o lugar onde antes existia a albergaria de S. Brás, tendo, aliás, a pedra deste edifício sido utilizada na nova construção, além de pedra das muralhas de Aveiro, mandadas demolir pelo príncipe regente D. João, futuro D. João VI.
 
5- Apenas dois anos após o início das obras do Liceu, portanto em 1857, teve início a construção do Teatro Aveirense, para o que a Câmara Municipal adquirira pouco tempo antes o terreno necessário. Todavia, por falta de verba, as obras foram interrompidas logo em 1858, até que, no final da década de setenta, se conseguiu formar um grupo responsável pela conclusão das obras e futura gestão do espaço, a Sociedade Construtora e Administrativa do Teatro Aveirense. As obras só ficaram concluídas no início da década de oitenta, quando era presidente da Câmara Sebastião de Magalhães Lima. A inauguração do Teatro ocorreu em fins de 1881, tendo a peça de estreia sido encenada pela Companhia do Teatro Nacional de D. Maria II em Março do ano seguinte.
Com o fim do regime monárquico, o Teatro encerrou para obras de adaptação a novas funcionalidades, como o cinematógrafo, reabrindo em 1912.
Mais tarde, entre 1947 e 1949, procedeu-se a nova remodelação, quer do interior, quer da fachada voltada para os Paços do Concelho.
Por fim, em 1998, e tendo em vista a preservação do imóvel, a autarquia adquiriu o edifício do Teatro e procedeu a uma série de intervenções visando o ajustamento do espaço às novas exigências, tanto no que se refere à comodidade como às próprias necessidades dos espectáculos.

6- O centro da praça é ocupado pela estátua de José Estêvão, aveirense ilustre a quem a cidade ficou a dever relevantes serviços. A ele se devem, a título de exemplo, o novo liceu de Aveiro, assim como o facto de a ligação ferroviária entre Lisboa e Porto passar por Aveiro, o que não estava previsto no plano inicial. Curiosamente, José Estêvão, falecido a 4 de Novembro de 1862, não pôde assistir à chegada do comboio à sua cidade, que só aconteceu em Abril de 1864.
Dezoito anos após a sua morte, em 1882, um grupo de aveirenses tomou a iniciativa de erigir um monumento em sua memória, lançando para isso a primeira pedra a 8 de Maio desse ano, prosseguindo depois as obras do pedestal sob a direcção de Manuel Homem de Carvalho Cristo. A 3 de Junho, o Governo concede, por lei, o bronze necessário para fundir a estátua. Mas só em 1886 a comissão responsável pelo monumento celebra com o escultor lisboeta José Simões de Almeida Júnior o contrato para a execução, por 1.100$000, do modelo em gesso da estátua. E só a 28 de Abril de 1888 é concluída a fundição da estátua, em bronze, no Arsenal do Exército, em Lisboa. A 21 de Abril de 1889, a estátua, transportada de comboio, é desembarcada, não na estação de Aveiro mas na passagem de nível de S. Bernardo, por especial concessão da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses, e depois transportada para o largo do município. Recorde-se que, na altura, a estação só tinha ligação ao centro da cidade através da Rua Cândido dos Reis.
Por fim, a 12 de Agosto de 1889, o monumento foi inaugurado, na presença da viúva, D. Rita Moura Miranda Magalhães.
 
Bibliografia breve

- Rangel de Quadros, "Aveiro, Apontamentos Históricos"
- Amaro Neves, "Aveiro, História e Arte"
- IGESPAR, "Teatro Aveirense"
- IGESPAR, "Igreja da Misericórdia de Aveiro"
- Aveiro e Cultura, "Calendário Histórico de Aveiro"
- Aveiro e Cultura, "Arquivo Digital"

















sábado, 29 de junho de 2013

Praça Marquês de Pombal


 
 O palacete do visconde de Almeidinha, destruído por um incêndio em 1871.
Neste local foi depois construído, na transição do séc. XIX para o séc. XX, 
o edifício do Governo Civil
(Fotografia: autor desconhecido; sem data)
 
 
Projecto apresentado pela Câmara Municipal, em 1905, para abertura
de um novo arruamento, que viria a ser a Praça Marquês de Pombal.
Como se pode ver, a concretização do projecto sacrificou
uma grande parte dos edifícios conventuais.
(Fonte: Alice Nogueira Alves, "Ramalho Ortigão e o Culto dos Monumentos Nacionais no Século XIX")

 
 
Convento das Carmelitas
(Fotografia: autor desconhecido; sem data)


 
 
Praça Marquês de Pombal e Convento das Carmelitas
(Fotografia: autor desconhecido; sem data)
 
 
 
Governo Civil e Convento das Carmelitas
(Fotografia: autor desconhecido; sem data)
 

 
 Praça Marquês de Pombal e Governo Civil.
Note-se que, na data em que este postal foi editado,
o nome deste arruamento era Avenida Albano de Melo.
(Fotografia: edição Baptista Moreira, Aveiro; sem data. Colecção Morais Sarmento)

 
 

Quiosque na Praça Marquês de Pombal
(Fotografia: autor desconhecido; sem data) 
 
 
 
Praça Marquês de Pombal e Convento das Carmelitas
(Fotografia: autor desconhecido; sem data)
 

 
 
Convento das Carmelitas
(Fotografia: autor desconhecido; sem data. Colecção Morais Sarmento) 

 
Convento das Carmelitas
(Fotografia: autor desconhecido; sem data. Colecção Morais Sarmento)
 
 
 
 
Governo Civil e Praça Marquês de Pombal
(Fotografia: autor desconhecido; sem data. Colecção Morais Sarmento)
 
 

 
Governo Civil
(Fotografia: autor desconhecido; sem data. Colecção Morais Sarmento)
 
 

 
 Praça Marquês de Pombal
À esquerda, em construção, o edifício do Palácio da Justiça.
(Fotografia: autor desconhecido; 1961.Colecção Morais Sarmento)
 



 Praça Marquês de Pombal
(Fotografia: autor desconhecido; sem data, mas posterior a 1952,
ano em que foi inaugurado o busto de Gustavo Ferreira Pinto Basto,
e anterior a 1963, ano em que a palmeira, ao fundo, foi derrubada)

 
 
  
Cronologia breve
 
- 1610: por ordem de D. Brites de Lara, começa a construção, no extremo sul da muralha de Aveiro, de um espaçoso paço para sua habitação, o qual, após a sua morte, deveria ser destinado a convento feminino de carmelitas descalças.
 
- 1616: conclui-se a construção do paço, onde D. Brites passa a viver, até à sua morte em 1648.
 
- 1657: alvará de D. Luísa de Gusmão, rainha regente após a morte de D. João IV, autorizando a criação do convento, que tinha sido negada pelo rei, apesar de diversos pedidos feitos por D. Brites de Lara. D. Raimundo, Duque de Aveiro e herdeiro de D. Brites, que ficara viúva sem descendência, faz então a doação do paço à Ordem dos Carmelitas Descalços, seguindo-se obras de adaptação à vida conventual.
 
- 1658: chegam a Aveiro as primeiras freiras carmelitas, vindas de Lisboa.
 
- 1659: é colocado sobre o portão do convento um brasão com as armas do Duque de Aveiro. O brasão seria totalmente picado em 1759, após o célebre processo dos Távoras, movido pelo Marquês de Pombal pela alegada tentativa de assassínio de D. José I. Um dos implicados no processo foi o 8º e último Duque de Aveiro, D. José de Mascarenhas e Lencastre, na sequência do qual foi executado, tendo todos os seus bens sido confiscados.
 
 - 1704: início da construção da igreja do convento, que só ficaria concluída em 1748. Até então, era utilizada para os ofícios religiosos a capela do paço de D. Brites de Lara que depois deu origem ao convento.
 
- 1759: Manuel de Sousa Ribeiro, conceituado cidadão aveirense, inicia a construção de um palacete, junto à muralha, no local onde hoje se encontra o edifício do Governo Civil. O palacete só viria a ficar concluído no início do séc. XIX, sendo geralmente conhecido como palácio dos Viscondes de Almeidinha. Aí se albergou a própria rainha D. Maria II quando, em 1852, visitou a cidade.
 
- 1835: José Joaquim Lopes de Lima, oficial da Marinha, é nomeado primeiro governador civil do distrito de Aveiro.
 
- 1864: o velho palácio dos Tavares, junto à porta da Ribeira (hoje Canal Central), é destruído por um incêndio. Neste edifício, onde funcionara já o paço episcopal, estavam instalados, desde 1849, o Governo Civil e a Fazenda Pública.
 
 - 1871: a 24 de Junho, o palacete dos Viscondes de Almeidinha é completamente destruído por um incêndio.
 
 - 1888: a 11 de Outubro, a Junta Geral do Distrito compra o palacete dos Viscondes de Almeidinha por 500.000 reis. No local seria construído, pouco mais de uma década depois, o edifício do Governo Civil.
 
 - 1901: é inaugurado o novo edifício do Governo Civil (ou das repartições públicas), onde ficam a funcionar, além do próprio Governo Civil, a Junta Geral do Distrito, a Auditoria Administrativa, as Finanças, as Obras Públicas e a Direcção Hidráulica do Mondego.
 
 - 1905: a Câmara Municipal de Aveiro, presidida na altura por Gustavo Ferreira Pinto Basto, apresenta um projecto de abertura de um largo arruamento, desde o edifício do Governo Civil até à Rua Direita. Após acesa polémica, começa, em Julho deste ano, a demolição parcial dos edifícios conventuais.
 
 - 1910: por decreto de 23 de Junho do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, a igreja das Carmelitas é classificada como monumento nacional.
 
 - 1942: a 26 de Abril, é inaugurado o novo edifício dos CTT na Praça Marquês de Pombal.
 
 - 1952: é inaugurado o busto de Gustavo Ferreira Pinto Basto na Praça Marquês de Pombal, onde permaneceu até ao início da construção do parque de estacionamento subterrâneo, altura em que foi mudado para o local onde hoje se encontra, junto à fachada nascente do Palácio da Justiça, na rua com o seu nome.
 
 - 1962: é inaugurado o novo edifício do Palácio da Justiça.
 
 - 1963:  é derrubada, no meio de bastante polémica, a palmeira que se encontrava na Praça Marquês de Pombal.
 
 
 
 Notas à margem
 
1 - "O Convento das Carmelitas (Mosteiro de S. João Evangelista) foi mandado construir por D. Brites Lara. Era filha do 1º Duque de Vila Real, D. Manuel de Meneses e de D. Juliana Lara, sendo esta, por sua vez, neta de D. Jorge de Lencastre, que fora Duque de Coimbra e senhor de Aveiro. Nascida cerca de 1564, casou com o florentino Pedro de Médicis, terceiro filho do Grão Duque da Toscana, Cosme de Médicis e, ao serviço militar de Espanha, faleceu em 1604, deixando D. Brites Lara viúva, sem descendência, pelo que esta se recolheu ao convento de Jesus, onde esteve 18 anos.
Entretanto, mandara construir, a partir de 1610, um espaçoso paço, no extremo sul das muralhas, o qual, após a sua morte e conforme testamento, haveria de ser destinado a convento feminino de carmelitas descalças. O paço ficou concluído em 1616, para onde se passou a grande fidalga, ali vivendo até à morte em 1648, tendo sido, após a revolução de 1640, a grande protectora de familiares e amigos a quem, em consequência dessa alteração política, foram confiscados os bens.
Em 1643, porém, já tinha requerido as licenças para a fundação do convento feminino, mas não foi atendida pela nova governação nacional. Entretanto, possuidora como era de grande fortuna, havia mandado levantar outro convento de carmelitas descalços, masculino, no  extremo norte da vila, em pleno lugar de Sá.
Só após a morte de D. João IV, em 1656, a rainha regente, D. Luísa de Gusmão, atendeu as sucessivas petições para o convento, por alvará de 21 de Julho de 1657, tendo sido doados à Ordem dos Carmelitas Descalços, pelo então Duque de Aveiro, D. Raimundo, o paço, as casas e respectivos quintais, altura em que foram feitas algumas imposições do donatário, nomeadamente quanto ao santo de invocação (S. João Evangelista) e seus padroeiros, que seriam exclusivamente os Duques de Aveiro, com direito a serem sepultados na capela-mor.
Seguiram-se obras de adaptação à vida conventual, tendo chegado as primeiras freiras a 1 de Julho de 1658, de Lisboa, em número de cinco, com três noviças. Ainda decorriam obras de ajustamento no ano seguinte, altura em que foi colocado um brasão com as armas do Duque de Aveiro sobre o portão do convento, que depois (em 1759) foram radicalmente picadas, em resultado da acusação sobre o Duque de Aveiro  de que havia conspirado contra a vida de D. José, pelo que o titular do ducado foi morto e confiscados os bens.
O edifício, de arquitectura modesta, enquanto convento, manteve-se inteiro até 1905, altura em que a Câmara Municipal da época, por decisão do ano anterior, fez movimentar uma das mais apaixonadas polémicas, pois aquela edilidade pretendia abrir uma larga rua, frente ao palácio do Governo Civil, ocupando o Terreiro e parte do convento. Contra, se movimentaram, entre outros, Ramalho Ortigão, Marques Gomes, Jaime Magalhães Lima, etc.... mas ganharam os políticos, amputando parte do claustro (toda a ala norte) e da própria igreja, de que, além do mais, se foi o coro alto, sem qualquer consideração pela arte e história locais."
 
Amaro Neves, "Aveiro, História e Arte" (pp. 96-99)
 
 
2 - A abertura do que é hoje a Praça Marquês de Pombal (antes chamada Avenida Albano de Melo, nome de um governador civil de Aveiro) foi iniciada em 1905 e esteve longe de ser um processo pacífico. Ainda em 1904, a Câmara Municipal, então presidida por Gustavo Ferreira Pinto Basto, anunciou a sua intenção de abrir um largo arruamento desde o edifício do Governo Civil, inaugurado três nos antes, até à Rua Direita. Na altura, como se pode ver no projecto apresentado pela Câmara em 1905 (ver, acima, a imagem 2), diante do Governo Civil abria-se um pequeno largo, conhecido por Largo do Terreiro, a que se seguiam o convento e a igreja das Carmelitas. Para lá do convento, e sensivelmente paralela a este, existia a Rua do Loureiro , a partir da qual, pela Rua da Cruz, se chegva à Rua Direita. O projecto camarário, para se concretizar, implicava portanto a demolição de uma parte significativa da igreja e do convento. Foi este o pomo da discórdia: de um lado, os que defendiam o "progresso" e a modernização da cidade; do outro, os que entendiam que o "progresso" não deveria sacrificar o seu património histórico. A polémica teve largo eco na cidade, acabando por chegar à capital.
Assim, a 15 de Março, um numeroso grupo de aveirenses, liderado pelo historiador local Marques Gomes, apresenta uma exposição ao rei, pedindo-lhe que obstasse à projectada demolição do Convento das Carmelitas. Este documento era acompanhado por um texto intitulado "Brado em favor d'um monumento", provavelmente da autoria do líder deste movimento. E, a 17 de Junho, é enviada ao Ministro das Obras Públicas uma outra exposição sobre o projecto em causa, tentando impedir o que consideravam uma perda irreparável para a cidade.
Em consequência, a questão acabou por ser discutida na Câmara dos Pares, a 15 de Abril desse ano, assim como no Conselho dos Monumentos Nacionais. Deste Conselho fazia parte Ramalho Ortigão, que, indignado com o projecto,  escreveu, em Maio de 1905, o seu "Parecer acerca da projectada destruição do Convento das Carmelitas de Aveiro", que apresentou ao referido Conselho dos Monumentos Nacionais, tendo este emitido um parecer contrário à demolição do convento.
De nada valeram estas diligências. Ignorando o parecer do Conselho dos Monumentos Nacionais, o Ministério das Obras Públicas, a 22 de Junho, acabou por autorizar a Câmara Municipal a proceder à demolição do convento, no que fosse necessário. A demolição inicia-se a 20 de Julho de 1905. Embora não tenham sido completamente destruídas, a ala norte do convento e uma parte da igreja acabaram, assim, por ser amputadas para permitir a construção da nova avenida.
 
 
Bibliografia essencial
 
- Aveiro e Cultura - Arquivo Digital de Aveiro
 
- Aveiro e Cultura - Espólio "Fernando de Moraes Sarmento"
 
- Aveiro e Cultura - Calendário Histórico de Aveiro
 
- Amaro Neves, "Aveiro, História e Arte"
 
- Eduardo Cerqueira, "algumas Notas sobre o Edifício do Governo Civil de Aveiro", in "Aveiro e o seu Distrito, Nº 30, Junho de 1982
 
- Alice Nogueira Alves, "Ramalho Ortigão e o Culto dos Monumentos Nacionais no Séc. XIX"
 
- IGESPAR (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico", "Igreja das Carmelitas, Aveiro"
 
- Arquivo Nacional da Torre do Tombo, "Convento de S. João Evangelista de Aveiro"
 
 
 
 
 
 
 
 
 


terça-feira, 16 de outubro de 2012

quinta-feira, 1 de março de 2012

Cheias de 1938

A cheia vista de junto da ponte de S. João para o lado da ponte da Dobadoura

Rossio

A cheia vista da ponte da Dobadoura. Ao fundo, à direita, a ponte de S. João

O Canal Central visto da ponte da Dobadoura

Parte do Rossio e do Canal Central

Rua de João Mendonça, Canal Central e Rossio, ao fundo

Rossio

Rua de João Mendonça

Rua de João Mendonça, Canal Central e Rossio, ao fundo

Canal Central e Rossio

Canal Central. Ao fundo, a ponte da Dobadoura. Do lado esquerdo, a Rua do Clube dos Galitos

Rua do Clube dos Galitos, Canal Central e Rossio
Fotografias de Raul Marques de Almeida